O distúrbio do sono é qualquer fator interno ou externo que atrapalhe a hora de dormir, no entanto, dois se destacam: a insônia e apneia. Estimativas dizem que pelo menos 40% das pessoas sofrerão de algum distúrbio durante a vida e após os 50 anos esse número é de 30%. Os distúrbios mais frequentes são os relacionados à respiração, como a apneia. Neste caso, a pessoa quando dorme, a língua cai para trás (para dentro da boca) tampando a garganta e obstruindo a passagem do ar, fazendo assim com que ela fique por alguns segundo sem respirar. “A apneia é uma doença comum e perigosa, cada vez que o indivíduo para de respirar a noite, a oxigenação do sangue cai, o coração acelera e a pressão aumenta. Com o tempo o risco de ter arritmia cardíaca e hipertensão arterial é grande”, informa o psiquiatra e especialista em medicina do sono José Soares Mól.

O tratamento da apneia é feito com o Continuous positive airway pressure (CPAP), uma máscara com uma traqueia ligada a um aparelho compressor, que quando ligado é jogado ar para dentro da pessoa durante a noite, ajudando assim a melhorar a respiração de quem sofre de apneia do sono. A insônia, outro distúrbio muito frequente, (que também como a apneia tem vários tipos de causa) é possivelmente a mais famosa. Existe a insônia causada por vontade própria, como: vida noturna, internet, televisão dentre outros, em que a pessoa fica muito tempo distraído. E também insônia com causas externas, como: cafeína, barulho, quarto quente e luminosidade.

Antes de dormir a pessoa tem que se preparar para o sono e criar um ambiente de relaxamento, sair da luz, principalmente a de celular e computador, porque elas impedem que a glândula pineal produza o hormônio do sono: a melatonina, que só é produzida quando ficamos no escuro. Não é indicado o uso de qualquer tipo de medicamento para dormir, porque a pessoa não terá um bom sono e os medicamentos aumentam o risco de ela ter apneia.
Nos casos de insônia é recomendado que se faça uma higienização do sono, um quarto escuro, sem ruídos e um colchão confortável são algumas indicações. Sobre a famosa soneca depois do almoço Mól diz: “Isso é causado pelo débito de sono que a pessoa não teve na noite anterior. Não é boa para todo mundo. Tem pessoas que dorme 15 minutos e ficam bem e outras que dormem o mesmo tempo e fica mais cansada do que antes”.

Mól afirma que qualquer pessoa que tenha algum distúrbio do sono, no dia seguinte ficará sonolenta e não irá conseguir ser tão produtivo quanto se estivesse descansado. “Profissionais que trabalham a noite, como bombeiro, médico, policial e motorista pagam um preço alto por não dormirem. Somente à noite e com a pessoa relaxada é que é produzido o hormônio do crescimento, fundamental para a renovação das células que fazem crescer o cabelo e as unhas. Quem não dorme a noite fica velho mais rápido e propenso a ter doenças do coração”, adverte.

Em períodos de férias escolares em que os estudantes costumam acordar tarde, a tendência é que eles também durmam mais tarde. O recomendado é que o estudante na última semana de férias comece a acordar mais cedo, para que o corpo se acostume e quando voltar às aulas ele já esteja novamente adaptado.

A estudante Raissa Possidônio, 20, diz que dorme em média sete horas por dia. Ela não tem hora certa para dormir, mas sempre acorda no mesmo horário. “Acordo às nove horas, até porque faço academia às 10hs, então já acostumei a não dormir muito”. Mol disse que essa é uma maneira para que a pessoa consiga ajustar o seu sono. “O mais importante é a hora de acordar e não a hora de dormir”, destaca. Vale ressaltar que cada pessoa, dependendo da faixa etária e características próprias, tem horas de sono diferente. Um recém nascido, por exemplo, necessita de aproximadamente 16 horas de sono por dia, já uma criança precisa de 10 a 12h, enquanto um adulto de 8h e um idoso de aproximadamente 6h.
Narcolepsia

A narcolepsia também é um distúrbio do sono, porém raro e de difícil diagnóstico. São quatro sintomas específicos: crises de sonolências, em que a pessoa não consegue resistir e dorme onde estiver durante alguns minutos. Às vezes ela é tão irresistível que é possível que se durma ao volante; cataplexia, que ocasiona fraqueza em algumas partes do corpo quando se tem alguma emoção, perdendo a força nos braços ou na cabeça e a pessoa cai no chão (dorme); paralisia do sono, em que o indivíduo acorda e não consegue se movimentar, pode acontecer com qualquer um, mas é mais frequente em narcolépticos – o cérebro acorda, mas o corpo não; alucinação hipnagógica, é quando se está preparando para dormir e já começa a sonhar, a pessoa está acordada, mas enxerga tudo como nos sonhos.

“Não necessariamente o narcoléptico terá esses quatro sintomas, mas a crise de sono já é um indício. Narcolepsia é diferente de sonolência, o narcoléptico está descansado, mas do nada começa a dormir. E o sonolento já está com sono o dia todo e onde encosta dorme. O tratamento da doença é deixar a pessoa cochilar poucos minutos em que ela tem sono e fazer uso de estimulante para se manter acordado”, conclui.

Fonte: Jornal Edição do Brasil

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